Qual a aplicabilidade da BAMS e do RAVLT na prática clínica da Neuropsicologia Brasileira?

Mais importante que qualquer instrumento é a capacitação para saber quando, porque usar, por que não usar e o que pode influenciar seus resultados.

Não há instrumento perfeito em nenhuma área. Em Neuropsicologia, não é diferente. Mais importante que qualquer instrumento é a capacitação para saber quando, porque usar, por que não usar e o que pode influenciar seus resultados. Estes aspectos fenomenológicos da avaliação devem ser complementados pela excelência psicométrica da medida. O uso do RAVLT e da BAMS pressupõe que o profissional que o usa conheça profundamente estrutura e função do sistema nervoso, memória e seus diferentes sistemas. Tanto o RAVLT quanto a BAMS auxiliam na avaliação de aspectos da memória declarativa. O RAVLT avalia o componente episódico e a BAMS o componente semântico.

O RAVLT é uma medida que avalia, entre outras coisas, a capacidade de aprender informações de natureza verbal e evocá-la posteriormente. É um teste essencialmente de memória episódica. Além disso, avalia a resistência à interferência de distratores proativos e retroativos durante a consolidação da aprendizagem. Em várias condições adquiridas e do desenvolvimento do SNC a memória episódica pode estar comprometida. Nos Transtornos Neurocognitivos Menores e Maiores, como na Demência de Alzheimer, ou também em casos de traumatismo cranioencefálico e acidente vascular cerebral que comprometam sistemas neurais envolvidos na memória, o instrumento pode ser muito útil para identificar dificuldades, mesmo que sutis, orientando processos de intervenção.

A BAMS, por sua vez, avalia o conhecimento consolidado sobre conceitos, nosso vocabulário, nossos conhecimentos gerais, nosso léxico mental. Do mesmo modo, condições clínicas como a Demência Semântica podem ter, entre outros sintomas, a deterioração da memória semântica. Avaliar diferentes componentes da memória é um dos meios que auxilia no diagnóstico diferencial e na estruturação de intervenções.


Por Dr. Leandro Fernandes Malloy-Diniz (autor do RAVLT e da BAMS)

Neuropsicólogo (CRP 04/15512)